Relatórios de Finanças
DRE, balancete, fluxo de caixa, contas a pagar e receber, centros de custo — com fórmulas completas e efeito de cada filtro.
Visão geral
Os relatórios do módulo Finanças cobrem toda a análise financeira e contábil do negócio — DRE, balancete, fluxo de caixa projetado, contas a pagar e a receber, recebimentos, movimentações por caixa e análise por centro de custo.
Este guia explica cada relatório, suas colunas, filtros, o efeito real de cada filtro e, na DRE, as fórmulas completas linha a linha.
Como acessar
No menu lateral, acesse Sistema → Finanças → Relatórios. Rota: /financas/relatorios. A DRE tem uma rota dedicada: /financas/relatorios/dre.
DRE — Demonstrativo de Resultado do Exercício
A DRE é o relatório contábil mais importante do ERP. Ela mostra, mês a mês do ano escolhido, quanto a empresa faturou, quanto gastou com produtos e despesas, e qual foi o lucro (ou prejuízo) ao final. É a base para entender a saúde do negócio e apoia decisões estratégicas.
Filtros disponíveis e efeito real de cada um
| Filtro | Efeito real na DRE |
|---|---|
| Ano | Define o ano inteiro (janeiro a dezembro) a ser exibido. As colunas do relatório são os 12 meses do ano escolhido, mais a coluna de total anual. |
| Baseado em: Pedidos de venda | A receita bruta considera todos os pedidos aprovados do período. Inclui vendas ainda não faturadas. Traz uma visão comercial — o "quanto a empresa vendeu". |
| Baseado em: NF-e de saída | A receita bruta considera só o que virou nota fiscal. É a visão fiscal — bate com SPED e obrigações acessórias. Costuma dar um valor menor que a baseada em pedidos. |
| Custo baseado em: Nenhum | Não calcula CMV. Lucro bruto fica igual à receita líquida. Usado quando a empresa ainda não tem controle de custo confiável. |
| Custo baseado em: Custo de compra | Usa o custo unitário do produto na data da venda (da nota de entrada mais recente). Rápido de calcular, menos preciso quando há variação grande de preço ao longo do mês. |
| Custo baseado em: Custo médio | Usa o histórico de custo médio do produto (tabela HistoricoCustoProduto), com competência mensal. É a opção mais precisa, especialmente em empresas com muita variação de preço. |
| Agrupamento: Empresa (multi-empresa) | Mostra um DRE por empresa do grupo. Útil quando a matriz precisa comparar filiais. |
| Agrupamento: Consolidado (multi-empresa) | Soma todas as empresas do grupo em uma única DRE. |
| Centro de custo | Filtra o DRE para apenas um centro de custo. Útil para analisar um departamento, projeto ou unidade específica. |
Estrutura e fórmulas da DRE
A DRE é composta por dez seções em ordem vertical. Cada seção tem linhas próprias e um total. Os totais mensais alimentam o cálculo da seção seguinte.
1. Receita Bruta
Linhas:
- Vendas de produtos e mercadorias — soma dos pedidos ou NFs de venda, dependendo do filtro Baseado em.
- Prestação de serviços — soma das notas fiscais de serviço (NFS-e) emitidas no mês.
- Quantidade — total de itens vendidos.
- Ticket médio —
receita total ÷ quantidade total.
Total da seção: receita_bruta = receita_pedidos + receita_servicos.
2. Deduções (valor negativo)
Descontos, devoluções e impostos sobre vendas. Cada item é extraído da nota fiscal:
- Devoluções de vendas — soma dos valores das devoluções do mês.
- Estorno de impostos — quando há devolução, os impostos originalmente pagos são estornados (entram como valor positivo reduzindo a dedução líquida).
- ICMS — extraído das NFs emitidas ou do Simples Nacional.
- IPI, PIS, COFINS, ISS — idem, cada um extraído da NF.
- ICMS-ST, FCP-ST, DIFAL, IR, INSS, CSLL — quando a natureza fiscal indica retenção ou substituição.
- Categorias manuais marcadas como Deduções — qualquer lançamento no financeiro com categoria classificada como deduções também entra aqui.
Fórmula do total mensal:
total_deducoes[mes] = -(devolucoes[mes] + icms[mes] + ipi[mes] + pis[mes]
+ cofins[mes] + iss[mes] + icms_st[mes] + fcp_st[mes]
+ difal[mes] + ir[mes] + inss[mes] + csll[mes])
+ estorno_impostos_devolucoes[mes]
+ deducoes_categorias_manuais[mes]3. Receita Líquida
Fórmula:
receita_liquida[mes] = receita_bruta[mes] + total_deducoes[mes]
Como as deduções já chegam com sinal negativo, a operação soma. A receita líquida é a base para o cálculo de margens.
4. Custos (CMV)
O Custo das Mercadorias Vendidas depende do filtro Custo baseado em:
Modo: Custo de compra
Para cada item vendido, soma quantidade × custo_unitário_do_produto_na_data. O custo é o último preço de compra registrado no cadastro do produto.
Modo: Custo médio
Usa o HistoricoCustoProduto, que guarda o custo médio do produto por competência mensal. Na venda de abril, o custo usado é o custo médio de abril, não o custo atual.
Esse modo é mais preciso porque considera a variação real ao longo do tempo e a entrada de lotes com preços diferentes.
Estorno de CMV
Quando há devolução, o CMV dos itens devolvidos é estornado (volta para o estoque):
cmv_liquido[mes] = -(cmv[mes] - estorno_cmv_devolucoes[mes])
5. Lucro Bruto
Fórmula:
lucro_bruto[mes] = receita_liquida[mes] + cmv_liquido[mes] margem_bruta[mes] = lucro_bruto[mes] / receita_liquida[mes] × 100
A margem bruta é a percentagem da receita líquida que sobra depois de abater o custo direto das mercadorias. Indicador fundamental da eficiência operacional.
6. Despesas Operacionais (valor negativo)
Linhas:
- Comissões de vendedores — pelo regime de competência (considera a data da venda, não do pagamento).
- Perdas de produção — refugo e desperdício medidos no PCP.
- Taxas e tarifas — categorias financeiras classificadas como taxas.
- Demais despesas operacionais — folha, aluguel, marketing, administrativo, qualquer lançamento no financeiro com categoria classificada como despesas operacionais.
Fórmula do total mensal:
despesas_operacionais_total[mes] = -(comissoes[mes] + perdas_producao[mes]
+ taxas_categorias[mes]
+ despesas_categorias[mes])7. Resultado Operacional
Fórmula:
resultado_operacional[mes] = lucro_bruto[mes] + despesas_operacionais_total[mes]
Mede a capacidade do negócio de gerar lucro a partir da operação principal.
8. Outras Receitas e Despesas
- Juros recebidos, acréscimos recebidos, descontos obtidos em pagamentos — positivas.
- Juros pagos, acréscimos pagos, descontos concedidos em recebimentos — negativas.
- Categorias manuais classificadas como Outras.
Esta seção isola efeitos financeiros que não fazem parte da operação principal (por exemplo, rendimento de aplicação, multas por atraso).
9. Tributos sobre o lucro
Categorias manuais classificadas como tributos. Exemplos: IRPJ e CSLL quando lançados pela competência.
10. Resultado Líquido (Lucro ou Prejuízo)
Fórmula final:
resultado_liquido[mes] = resultado_operacional[mes]
+ outras_receitas[mes]
+ outras_despesas[mes]
+ tributos[mes]
margem_liquida[mes] = resultado_liquido[mes] / receita_liquida[mes] × 100É o número final — quanto a empresa ganhou (ou perdeu) no mês depois de tudo.
Classificação das categorias financeiras
A DRE depende da classificação das suas categorias financeiras. Cada categoria tem um campo tipo DRE que define em qual seção ela entra:
- Deduções — entra na seção 2.
- Despesas Operacionais — seção 6.
- Outras Receitas/Despesas — seção 8.
- Tributos — seção 9.
- Sem classificação — fica fora da DRE.
Se o DRE estiver vazio ou com números estranhos, quase sempre é porque as categorias não foram classificadas corretamente. Revise em Finanças → Categorias Financeiras.
Balancete
Mostra, para cada categoria financeira, o saldo inicial, as entradas, as saídas e o saldo final do período. É o relatório tradicional para conciliação contábil.
Colunas
Categoria, saldo anterior, entradas, saídas, saldo atual, variação percentual.
Filtros e efeitos
- Período — define o intervalo. O saldo anterior é sempre calculado até a data inicial menos um dia.
- Agrupamento — por categoria (padrão) ou por grupo de categorias. O agrupamento por grupo consolida várias categorias filhas em um total.
- Centro de custo — filtra movimentações de um centro específico.
- Incluir inativas — traz categorias sem movimento no período (com saldo zero).
Fluxo de Caixa Projetado
Projeta entradas e saídas futuras com base nas contas a receber e a pagar em aberto, mais as recorrências configuradas.
Colunas
Data, entradas previstas, saídas previstas, saldo acumulado, saldo do dia.
Filtros e efeitos
- Período de projeção — 7, 15, 30, 60, 90 dias ou intervalo livre.
- Incluir vencidas — quando ativo, soma as contas vencidas (que deveriam ter sido pagas) ao saldo inicial.
- Incluir recorrências — projeta contas recorrentes para os períodos futuros mesmo que ainda não tenham sido geradas.
- Conta bancária — filtra por caixa específico.
Entradas e Saídas por Caixa
Total de entradas e saídas por caixa e por categoria, no formato clássico de livro-caixa.
Filtros
- Período.
- Caixa.
- Categoria.
- Cliente ou fornecedor.
Contas a Pagar
Lista títulos a pagar do período.
Filtros e efeitos
- Data de vencimento (padrão) ou data de pagamento. Em vencimento, mostra o que precisa ser pago no período; em pagamento, mostra o que foi efetivamente pago.
- Situação — em aberto, pago, vencido, cancelado.
- Fornecedor.
- Categoria financeira.
- Centro de custo.
Contas a Receber
Equivalente do relatório acima, do lado dos recebimentos.
Filtros e efeitos
- Data de vencimento ou recebimento.
- Situação — em aberto, recebido, vencido, cancelado, parcialmente recebido.
- Cliente.
- Forma de recebimento — dinheiro, pix, cartão, boleto, vale.
- Categoria.
Recebimentos
Timeline dos recebimentos efetivamente confirmados no período.
Colunas
Data do recebimento, título original, cliente, forma, valor, conta destino.
Filtros
- Período.
- Forma.
- Conta — caixa ou conta bancária destino.
Centro de Custo
Análise de movimentações por centro de custo, com totais, gráficos e comparativo entre períodos.
Colunas
Centro de custo, total de entradas, total de saídas, saldo, percentual do total, comparativo com período anterior.
Filtros e efeitos
- Centro de custo — um específico ou todos em árvore.
- Período.
- Período comparativo — habilita coluna de comparação com um período anterior (mês anterior, mesmo período do ano passado, etc.).
- Incluir filhos — quando um centro tem subcentros, decide se soma os filhos no total do pai.
Entrega e exportação
Os relatórios são gerados em segundo plano em pedidos pesados. A DRE, por ser bem completa, tem execução otimizada e pode ser visualizada em tempo real ou baixada em PDF e Excel.
Perguntas frequentes
Minha DRE está com valores errados. Por onde começo?
Comece pela classificação das categorias. Abra Finanças → Categorias Financeiras e verifique se cada uma tem o campo tipo DRE preenchido corretamente. Se uma despesa grande está sem classificação, ela não entra na DRE.
Qual a diferença entre receita bruta e receita líquida?
Receita bruta é o faturamento total antes de qualquer dedução. Receita líquida é o que sobra depois de abater devoluções, impostos sobre vendas e descontos incondicionais. É a receita que de fato a empresa tem para pagar custos e despesas.
Por que o lucro operacional é diferente do lucro líquido?
O lucro operacional mostra o resultado da operação principal — sem considerar receitas e despesas financeiras nem impostos sobre o lucro. O lucro líquido adiciona a essa conta as outras receitas/despesas e os tributos, chegando ao resultado final.
DRE usa regime de caixa ou de competência?
A DRE do Bunto usa regime de competência por padrão — as receitas e despesas aparecem na data do fato gerador (venda ou compra), não na data do recebimento ou pagamento. Isso segue a contabilidade brasileira.
O que é o custo médio ponderado?
É o custo que leva em conta todas as entradas do produto, ponderadas pela quantidade. Quando você compra lotes em preços diferentes, o custo médio suaviza a variação. O Bunto calcula esse custo mensalmente e usa-o no CMV da DRE quando o modo é custo médio.
Posso ver o DRE por centro de custo?
Sim. Basta filtrar por centro. Os lançamentos considerados serão apenas os que pertencem ao centro (ou aos seus filhos, conforme a opção).
Por que a DRE de pedidos dá diferente de NF-e?
Porque pedidos aprovados mas ainda não faturados aparecem na DRE baseada em pedidos. Para bater com contabilidade, use NF-e.
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